Origens do Giro d’Italia

“A História não se repete, ela rima” – Mark Twain

Sem demora, necessidade obriga Gazzetta lançar tour italiano. Retorne Milão – Tullo.

Foi com este lacônico telegrama que Tullo Morgagni, editor do jornal La Gazzetta dello Sport, comunicou em 5 de Agosto de 1908 a seu editor de ciclismo, Armando Cougnet, então em viagem por Veneza, a necessidade de agirem com rapidez. Tullo tinha ficado sabendo por intermédio de um ex-funcionário da fábrica de bicicletas Bianchi, que o jornal Corriere della Sera, a Bianchi e o Touring Club Italiano tinham formado uma parceria e que planejavam criar juntos um tour italiano nos moldes do Tour de France.

No dia seguinte, no escritório de Emilio Camillo Costamagna, o proprietário do jornal, Tullo tratou de convencer a Armando e a Emilio da absoluta necessidade da Gazzetta se antecipar a seu concorrente e realizar o tour italiano.

Em 07 de Agosto de 1908 a Gazzetta anunciava, em manchete com letras garrafais, que já em Maio do ano seguinte a Itália teria sua prova nacional, o Giro d’Italia.

Anunciar o Giro foi fácil, a questão crucial para um jornal quase quebrado como a Gazzetta, era, agora, arrumar fundos para a realização de um evento daquelas proporções. Foi Primo Bongrani, contador da Cassa di Risparmio e amigo dos três criadores do Giro, quem resolveu o problema. Ele sugeriu que o Giro se comportasse como um Banco: que pedisse aos outros o dinheiro que eles mesmos não tinham. Em apenas um mês Primo obteve dinheiro, entre outros, da Associação Ciclistica Italiana, de uma empresa de engenharia e até do próprio Corriere della Sera. O Corriere pagaria 3.000,00 Liras ao vencedor do Giro e os demais colocados seriam premiados pelo cassino de San Remo.

Cento e sessenta e seis ciclistas, entre profissionais e amadores, se inscreveram para o primeiro Giro. Vinte eram estrangeiros: quinze franceses, dois alemães, um belga, um argentino e um de Trieste que, à época, não fazia parte da Itália.

O Giro adotou um sistema de pontos para calcular a Classifica Generale (classificação geral). Somando as classificações de cada competidor em cada etapa, o ciclista com o menor número de pontos seria o vencedor. Se fossem vinte etapas e um mesmo ciclista vencesse todas, seu total de pontos seria vinte. Muito mais prático e barato do que cronometrar cada competidor.

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